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Roteiro Sem Nenhum Charme

Somos, ou melhor, éramos, fiéis hóspedes dos hotéis do “Roteiro de Charme”. Já estivemos nas maravilhosas pousadas Solar da Ponte, em Tiradentes e Mondego, em Ouro Preto, em Minas Gerais. No Rio Grande do Norte, em Natal, nos hospedamos no Manary Praia Hotel e na Toca da Coruja, na Praia de Pipa. Na Bahia, na Chapada Diamantina, em Lençóis, ficamos no Canto das Águas e em Trancoso, na Pousada Estrela D´Água. No Pantanal, no espetacular Refúgio Ecológico Caiman.

Este ano, a família inteira resolveu ir para a praia. Oito adultos e quatro crianças. Um maiorzinho de sete e os menores de um, dois e três anos de idade, pais, mães, babás, avó e o avô autor dessas linhas. Durante o mês de Janeiro a demanda por quartos de hotéis é intensa. Por isto fizemos a reserva, com pagamento de 50% ainda em Outubro, de cinco quartos no Itacaré Eco Resort. O fato de pertencer ao Roteiro de Charme foi determinante na escolha. O pagamento antecipado de metade do valor da hospedagem foi feito para garantir tranqüilidade nas férias.

Após seis horas de viagem, conexão em Salvador, e outra hora de carro até Itacaré, na chegada fomos sumariamente informados, de que mesmo com o pagamento antecipado e a reserva com mais de dois meses de antecedência, o hotel estava lotado e que, nos primeiros dois dias disporíamos apenas de quatro quartos, ao invés dos cinco pagos antecipadamente. Não houve qualquer explicação ou pedido de desculpas. Apenas a imposição do fato consumado. Obrigados a nos submeter, pois os hotéis da região estavam lotados e as crianças exaustas da viagem, cinco pessoas foram espremidas em um espaço para duas.

A grosseira recepção, na qual, em protesto, recusei um ridículo drinque de boas vindas com cara de leite condensado, criou um ambiente que inviabilizou o descanso com que havíamos sonhado. Ficou difícil cruzar na recepção com o melífluo sorriso profissional de gentileza pasteurizada do funcionário agente da imposição. E, cedo, descobrimos que o embuste não ficava apenas na venda a terceiros de um serviço já previamente pago. A piscina de água corrente do hotel é pouco mais do que uma poça de lama verde revestida de cimento pintado. A caminhada até a praia faz-se por uma trilha mal cuidada, que não permite o transporte de crianças pequenas em carrinhos. A praia é perigosa, pois tem correntes que mantém um dedicado salva-vidas em estado de sonoro alerta com uma buzina e um apito, ao contrário do que apregoa a propaganda. A sala de ginástica resume-se a duas esteiras e uma bicicleta ergométrica quebradas. A loja nunca tem quem venda os produtos que expõe. A impressão é de que todos esses recursos existem para qualificar a pousada como resort e assim poder cobrar mais caro.

Curiosamente, o restaurante é excelente! Mas isto não basta. Resolvemos frustrados e indignados, antecipar nossa volta para casa e interromper nossa temporada de praia. Para que o mesmo não aconteça aos nossos leitores sugerimos que evitem esse estabelecimento e comecem a desconfiar de que há hotéis e pousadas sem qualquer charme integrando o roteiro com esse nome.

A todos, nossos votos de um perfeito 2009 e de férias melhores do que a nossa!

PS Fomos informados pela Administração dos Roteiros de Charme que o Itacaré Eco Resort não mais integra essa rede desde dezembro de 2008. Nossa reserva foi realizada em Outubro desse ano e nossa permanência no hotel deu-se nos primeiros dias de Janeiro de 2009. Assim, a informação sobre o desligamento não havia chegado a nosso conhecimento.

Dado o desligamento do Itacaré Eco Resort dos Roteiros de Charme, essa rede volta a merecer nossa total confiança como emblema de qualidade na hotelaria brasileira.


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