O Reich de Vinte Anos

O Reich dos Vinte Anos

Os políticos brasileiros de hoje se agarram ao poder com desespero e sonham em permanecer pelo menos duas décadas no poder.
São quase todos golpistas em busca de um reich de vinte anos! Verdadeiro democrata foi Juscelino, que em 1960, recusou a oferta de setores militares para continuar no governo. Já a renúncia de Jânio foi uma tentativa de golpe. Esperava voltar nos braços do povo com o apoio das forças armadas.
Daí em diante sofremos com os militares que aplicaram o seu golpe por quase de trinta anos. O efeito foi a destruição da elite política brasileira, que por cerca de setenta anos, levou o Brasil à liderança do crescimento econômico mundial. Outro foi o ocultamento da corrupção pela censura. As forças armadas consistiram na primeira corporação a ocupar o poder antes do PT.
Em seguida veio Sarney, que ao substituir Tancredo (talvez assassinado), destruiu o sucesso do Plano Cruzado, adiando medidas econômicas indispensáveis. Conseguiu a ampliação de seu mandato para cinco anos. Um aninho a mais de “pudê”, pelo amor de Deus!
Collor saqueou a nação com o intuito de ficar vinte anos. Essa era a justificativa para sua roubalheira.
Itamar foi o último verdadeiro democrata. Impressionante o resgate da dignidade nacional em tão pouco tempo. Figura folclórica do alto de seu topete, mas que conquistou a gratidão do povo.
Seguiu-se FHC que, para conquistar a reeleição, corrompeu abertamente grande parte do Congresso. Adiou com fins eleitoreiros a desvalorização do Real, com efeitos econômicos catastróficos. A reeleição é razão maior de nossa desgraça. É quase sempre uma certeza e dá tempo aos grupos no poder para se consolidarem e tentarem novos golpes.
Nos 8 anos de Lula, forjou-se uma sólida aliança entre o setor financeiro e os mais pobres, entre capital e voto. A corrupção do Congresso foi oficializada. Deu-se continuidade a tomada das estatais, dos fundos de pensão e de vários setores da economia pelo establishment político (processo iniciado com FHC) e sindical (novidade). O PT, uma nova corporação, substituía as forças armadas no Poder.
A reeleição de Dilma só aconteceu devido a “bondades” bem divulgadas, conhecidas do publico. A escala foi gigantesca.
Por fim chegamos ao fim da picada: Temer. Só posso concordar com FHC quando pede a renúncia de Temer em um “gesto de grandeza”, embora nele não reconheça autoridade para julgar.
Do exposto conclui-se:
1- Todos presidentes civis do Brasil pós-ditadura tentaram estender seu período no Poder, com a exceção de Itamar Franco.
2- A corrupção em larga escala era justificada em nome de um projeto de poder. Exceção: Itamar Franco.
3- O fim do poder de um grupo (casos Sarney, FHC) ou de uma corporação (PT e Forças Armadas) acontece apenas após severa crise econômica. Esta crise é adiada e, por isso, muito agravada pro razões eleitorais.
4- A tendência é à degradação crescente do sistema político até tornar-se inviável. No limite o País fica inviável.

Não resta dúvida que a rejeição aos políticos representa um fenômeno universal. Porém a especificidade do caso brasileiro torna nossa situação particularmente dramática.

2017-12-10T19:16:30+00:00 By |Opinião|

Deixar Um Comentário